Ocorrido entre os últimos dias 13 e 18, o Festival Internacional Amazônida de Cinema de Fronteira (Fia Cinefront), promovido pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e parceiros, possibilitou que os moradores de Marabá, Rondon do Pará e Eldorado dos Carajás tivessem contato com filmes que documentam a região Sul/Sudeste do Pará como espaço de conflitos sociais. Além da região também houve filmes que retratam outras regiões de fronteira como a África.

A ideia do festival, é que, daqui em diante, ele sirva de ponte entre o aniversário de Marabá, comemorado em 5 de abril, e o massacre de Eldorado, ocorrido em 17 de abril, sempre trazendo filmes que tratem de questões emblemáticas, mas às vezes desvalorizadas pela história oficial.

Para o próximo ano, o professor da Unifesspa Evandro Medeiros, idealizador do evento, disse que a temática indígena estará na programação, assim como audiovisuais específicos para o público infantil.

Evandro avaliou o I Fia Cinefront durante o encerramento ocorrido na Toca do Manduquinha. “Foram treze filmes exibidos, com a presença de mais de 1500 pessoas, contabilizadas por meio de lista assinada. Isso é muito positivo na nossa avaliação e já mostra que o Fia Cinefront chegou com grande aceitação do público, considerando que não são filmes de entretenimento, mas que possibilitam o debate sobre as dinâmicas da região”, comemora.

Felipe Milanez, da Universidade de Coimbra, foi o curador do evento e também tem um filme em exibição no festival (Toxic Amazon) e disse que também foi curador em um festival em Coimbra (Portugal), mas que o FIA CINEFRONT foi bem melhor e a população poderá teve acesso à produções que retratam a região em que vive como um espaço de fronteira, de conflito.

Em toda edição o festival irá homenagear um diretores e produtores fílmicos cujo conjunto de suas obras represente contribuição cinematográfica para reflexão da realidade vivida nas “fronteiras-periferias” da sociedade, na Amazônia e no mundo. Nesta primeira edição, Vicente Rios e Adrian Cowell (este já falecido) foram os homenageados na noite de enceramento. Eles receberam uma obra de arte (“tábua de cortar carne”) produzida pelo artista plástico marabaense Antonio Botelho, o “Botelhinho”.

Vicente Rios participou da programação do festival, debatendo com o público questões sobre os filmes que produziu em parceria com Adrian Cowell. Sobre a homenagem, ele se disse honrado e que será uma bela lembrança do festival, que por si já é um marco, uma vez que ele e Cowell sempre quiseram que os filmes que produziram sobre a região (como o que aborda a hidrelétrica de Tucuruí e outro sobre assassinatos por conflito agrário) fossem vistos pela própria população local.

Sobre tábua de cortar carne - A obra fez parte do projeto que foi apresentado no Instituto de Artes do Pará, em 2007, e foi contemplado com uma Bolsa de Pesquisa Experimentação e Criação Artística. Questionado sobe o motivo de ter escolhido essa obra específica para homenagear os cineastas ele explica que é pelo fato de que a as xilogravuras impressas a partir das tábuas que ganhou de diversas donas de casa guardam histórias das pessoas e ele é um coautor, apenas dando visibilidade às tramas da tábua, com as emoções, alegrias, sonhos, decepções que ficam registradas no instrumento doméstico. Nesse sentido, a obra do artista se aproxima aos filmes documentários exibidos no Fia Cinefront, já que esse tipo de audiovisual trata da vida das pessoas, são histórias prontas, e o diretor é um coautor dessas histórias. No caso de Adrian Cowell, a obra de arte será enviada a familiares dele, nos Estados Unidos.

 

 

Desde o último dia 17 está sendo realizada a exposição Diversidades, dentro da programação da Funai-Marabá em alusão Dia do Índio, ocorrido domingo passado (dia 19). O evento, realizado em Marabá, procura apresentar ao público em geral a realidade de lutas e as formas de vida dos 11 povos com os quais a Funai trabalha desde o sul do Pará até a região nordeste do Estado. A história comum desses povos, que é tratada na exposição, é que quase se extinguiram nos anos 1970 pelo processo de ocupação acelerada na Amazônia.

Até hoje há questões fundiárias indefinidas, assim como nunca houve mitigação concreta de impactos por grandes projetos. A configuração das terras indígenas na região, salvo exceções, é relativamente pequena, para garantir suas práticas tradicionais. “Alguns lutam para conseguir terra e outros para que as demarcações sejam revistas”, resume Juliano Almeida, indigenista, atua no serviço de gestão ambiental e territorial da unidade da Funai em Marabá.

Ainda de acordo com Juliano Almeida, a população indígena tem aumentado, conforme revelam os últimos censos. Mas isso ocorre dentro de situações precárias, pois entre os grupos étnicos do País, os indígenas têm ainda as piores taxas de natalidade, que são as mesmas dos índios que viveram o início do século passado no Brasil. Além disso, nos últimos 20 anos já morreram cerca de 400 indígenas.

Um dos fatores fundamentais para a garantia de condições para a transmissão dos conhecimentos e tradições de um povo está relacionado ao território em que esses povos vivem. Áreas em que a situação fundiária ainda não está definida e/ou não respondem as necessidades; área que essas práticas continuem a existir.

A própria demarcação de terras, diz Juliano, altera a forma de como os indígenas pensam o futuro. “Mas para a cultura existe um empoderamento muito grande que os povos têm apreendido. Conceito de tradição não aparece como algo parado no tempo, mas como processo de ressignificação, aí tem o uso da literatura, ferramentas audiovisuais como forma de empoderamento para fortalecimento das tradições indígenas”, afirma.

Durante a exposição estão sendo exibidos filmes. Nesta sexta foi apresentado “Índio, cidadão?”, de Rodrigo Siqueira, que trata de duas lutas, uma de ter um capítulo específico na Constituição de 1988, reflexo de uma grande mobilização dos povos indígenas, e outra o momento contemporâneo, a partir da última década, que passou a sofrer diversos ataques.

 

Começou nesta terça-feira (21) e prossegue até o próximo dia 30, a exposição fotográfica “Gavião Kyikatêjê: Mais que um time. Um povo que valoriza suas tradições. A exposição acontece no espaço de eventos do Shopping Pátio Marabá, no terceiro piso, e trás fotografias de Magno Barros, que aparece na foto acima exibido um pouco do material que está aberto ao público.

Marabá recebe, na primeira semana de agosto próximo, o 17º Festival de Teatro Brasileiro (FTB), cuja finalidade é não somente divulgar a arte teatral, mas também formar grupos de arte cênica nas escolas municipais e também um público de voltado ao teatro. Reunião para acertar os detalhes do evento aconteceu na manhã desta quarta-feira (22), na Biblioteca Municipal “Orlando Lobo”’, com a presença do fundador e organizador do FTB, Sérgio Bacelar, do secretário municipal de Cultura, Genival Crescêncio de Souza, e de representantes da Secretaria de Educação e da Assessoria de Comunicação do município.

O festival, além de apresentar encenações no Cine Teatro Marrocos e na Praça São Félix de Valois, durante duas semanas vai levar formação teatral a professores e alunos das escolas da rede municipal, que, ao final, também encenarão esquetes escritos por eles mesmos.

No festival serão apresentadas peças do teatro paraibano, uma vez que um dos objetivos do FTB é promover uma ação nacional de aproximação dos estados brasileiros por meio das artes cênicas.

Segundo Sérgio Bacelar, o histórico do festival demonstra a atenção com a qualificação e com a formação e, nesse contexto, existe um braço muito forte que trabalha dentro das escolas estimulando a criação de grupos de teatro e pensando nas gerações futuras que poderão trabalhar com as artes cênicas, poderão atuar.

“Esse é o principal trabalho do Festival de Teatro Brasileiro. E a gente percebe, ao longo dos anos, que, depois que o festival sai, conseguimos criar grupos de teatro dentre das escolas e que eles se fortalecem e começam a criar uma identidade cênica nas cidades”, comenta Bacelar.

De acordo com ele, são inúmeros os resultados colhidos com o FTB. “Depois do festival, ao final do ano, voltamos a todos os estados e perguntamos: ‘O que ficou? Quais os desdobramentos? ’. Então, é comum os grupos se visitarem depois, é comum a gente poder estabelecer relações entre as pessoas que estão vindo e as que estão recebendo”, afirma o criador do FTB.

Ele destaca ainda que essas relações acabam indo muito além, pois acontece uma aproximação, além do profissional, afetiva, criando uma rede de amizades muito grande, “o que é o estímulo principal para que as coisas continuem”.

Ana Gabriela de Souza, da Secretaria Municipal de Educação (Semed) vê como ótima a oportunidade de formar um público na área das artes cênicas. “Já vimos trabalhando nas artes visuais, na literatura, na dança e o festival vai ajudar muito a criar novos grupos teatrais para levar o nome de Marabá mais longe também com as artes cênicas. É uma grande oportunidade de trabalhar com os alunos para que eles conheçam outras formas de arte”, avalia ela.

Para o secretário municipal de Cultura, Genival Crescêncio, a realização do 17º Festival de Teatro Brasileiro em Marabá traz um benefício significativo ao segmento do teatro no município, que hoje conta com pouquíssimos grupos de artes cênicas, e “cai como uma luva, não sé para a formação de púbico e de novos grupos quanto para o fortalecimento desse segmento na cidade”. (Ascom/PMM)