Rios de Encontro, o projeto socioeducativo e eco-cultural enraizado na comunidade Cabelo Seco, acabou de celebrar uma nova parceria com a Associação Brasileira de Defensores Públicos num congresso estadual na Bahia e renovou sete anos de colaboração com o Grupo de Teatro da Polícia Militar da Bahia, em Salvador, entre dias 21-24 de setembro. Ambas colaborações fazem parte da gestão do Rios de Criatividade, projeto do Festival Beleza Amazônica 2016, que acontecerá entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro deste ano.

Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro foi convidado pelo defensor público Geral da Bahia, Clériston Cavalcante de Macêdo, para realizar uma palestra sobre Rios de Encontro num panel sobre Diálogos Interculturais com a Sociedade Civil e participar num encontro nacional de defensores públicos do Brasil. Na palestra, Dan Baron elogiou a coragem e dedicação dos jovens artistas, arte educadores e gestores de Cabelo Seco que defendem e cultivam direitos humanos, educativos e ambientais da região mais excluída e invisível no Brasil.

"Fiquei impressionado com a etica, clareza jurídica e coragem dos defensores públicos que encontrei", disse Dan Baron, na sua volta a Marabá. "Temos que valorizar estes profissionais formados em direito, que optam em defender os direitos humanos das comunidades mais violentadas, marginalizadas e sem condições mínimas de vida digna, em vez de atuar como advogados de acusação e juízes que protegem leis que sustentam desigualdade e corrupção. Com São Paulo, Bahia está na frente de ação extra-judicial para garantir os direitos dos calados, vulneráveis e perseguidos. Mas Rios de Encontro já colabora com defensores públicos aqui em Marabá de compromisso social e coragem humana exemplares, e cuidei de os elogiar durante os debates."

Dan Baron participou num encontro de todos os defensores públicos gerais da República e aprendeu muito sobre a grave conjuntura do Brasil, neste momento de corrupção judicial e política. Logo após o congresso baiano, o arte educador que mora em Cabelo Seco desde 2009, reuniu com Capitão Thiago Garcia, fundador do Grupo de Teatro da Polícia Militar da Bahia e Professora e arte educadora Vanda Machado, de um dos mais antigos terreiros no Brasil, Opo Afonja, em Salvador. O terreiro originou quase no mesmo ano de que Cabelo Seco. A Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA), que vai colaborar com Rios de Encontro e a Unifesspa na realização do Festival Beleza Amazônica em dezembro, já colaborou com a PM da Bahia entre 2008-12, na Bahia e no Pará.

"Temos imenso respeito para este grupo de teatro afrodescendente", explica Dan Baron. "Igual com nossos jovens, resgatou e reinventa todo dia sua própria identidade afro e hoje, luta contra a violência sexual e racial, e pelos direitos humanos de comunidades que sofrem todo tipo de exploração. A PM da Bahia era conhecida mundialmente como assassinos de jovens negros. Hoje, o grupo é reconhecido como exemplo de lutadores pela justiça social, e pela beleza artística de suas danças tradicionais e espetáculos comunitários. Igual com Belém em 2010, Marabá tem que vivenciar esta segurança cidadã, esta arte pela transformação, para entender o que significa uma cidade inteligente. O grupo ja se comprometeu participar no nosso Festival Beleza Amazônica, neste novembro."

Na próxima sexta-feira (2), o projeto eco-cultural e socioambiental Rios de Encontro leva a mostra Viva Pedral do Lourenção Viva! ao encontro 'Arte Pra Todos' no Campus III da Unifesspa, e no domingo (40, realizará sua bicicletada Viva o Pedral do Lourenção, Viva!, que culmina com uma troca cultural na Escola Irmã Theodora, no bairro Liberdade. "Todos são bem vindos", afirma Rerivaldo Mendes (20 anos), coordenador do Rabetas Vídeos. "Além de comunicar com comunidades vizinhas, estamos criando redes internacionais, para integrar o mundo na preservação do rio invisível no céu que irriga todos os continentes do mundo", conclui.

No final de semana

O Rios de Encontro, enraizado no bairro Cabelo Seco, realizou duas novas colaborações na semana passada, com 16 jovens de sete povos indígenas do sudeste da Bahia, e com escritores da Associação dos Escritores do Sul e Sudeste do Pará (AESSPA), no 42º Sarau da Lua Cheia. Estes novos passos de dois prêmios nacionais recentes, Rios de Criatividade (pelo Ministério da Educação), e Redes da Criatividade (pelo Ministério da Cultura), antecipam o primeiro festival internacional Beleza Pan-Amazônica, idealizado para Novembro 2016 para valorizar e preservar os Pedrais do Lourenção.

Na noite da sexta feira, com o nascer da lua, nove escritores da AESSPA embelezaram a pracinha de Cabelo Seco com diversos poemas, contos e cantos. Foram acolhidos pelo coletivo gestor juvenil dos anfitriões, Rios de Encontro, que intercalou danças e ritmos de afro-raiz de Cia de Dança AfroMundi e Tambores da Liberdade, poesia da biblioteca comunitária Folhas da Vida, e vídeos do Rabetas Vídeos Coletivo, diante uma grande plateia comunitária.

Durante a noite inovadora, mais de 70 crianças leram e desenharam na biblioteca na rua, ao lado dos poetas que integraram quatro gerações. "Isso é o som cultural da pracinha de Cabelo Seco", disse Manoela Souza, coordenadora da noite com Javier di Mar-y-abá. "Crianças e jovens de uma comunidade, afro-indígena, brincando, lendo alto, cantando, tocando e dançando. Vamos cuidar desta beleza amazônica do Rio Tocantins, para mantê-la viva!"

Na manhã de sábado, o coletivo de jovens coordenadores concluíram um ensaio de percussão afro-raiz com uma meia lua para sua primeira roda virtual do projeto 'Redes de Criatividade', trocando ritmos, cantos, danças e histórias com 16 jovens indígenas reunidos no Pontão de Cultura, Thydewas, em Ilheus, no sul da Bahia. Coordenador do Pontão, Sebastian Gerlic estava com Rios de Encontro em Cabelo Seco no mês passado, idealizando os dois projetos, Rios e Redes de Criatividade: "Já recepcionamos Dan Baron aqui em Ilheus, duas vezes, formando nossos jovens em um coletivo para criar livros digitais indígenas a partir de histórias pessoais. Com esta roda virtual, realizamos o primeiro passo de um sonho. Juntar duas meias luas de jovens de projetos de regiões vizinhas para criar uma rede cultural que valoriza o jovem como protagonista da preservação ambiental e transformação social."

 

A biblioteca Folhas da Vida, do Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo, enraizado na comunidade Cabelo Seco, realizou seu terceiro Festival da Pipa, no sábado passado, dia 06 de agosto. A participação de mais de 60 crianças e adolescentes do bairro, coincidiu com a notícia de que suas duas últimas edições estão recebendo mais de 40.000 visitações por semana no seu canal do YouTube, e já ultrapassam 460.000 leitores. O Festival de Verão encerra no sábado, dia 20 de agosto, com a grande bicicletada "Eu Sou o Pedral do Lourenção".

"Este festival foi completamente diferente do que em 2014 e 2015", disse Alanes Soares, coordenadora da biblioteca Folhas da Vida e uma das rodas de criação. "No primeiro ano, tivemos mais participação de adolescentes, levando pipas até uma balsa no Rio Tocantins para o proteger e comunicar ao mundo 'deixa nosso rio passar'. No segundo ano, ficamos surpresos com o grande número de crianças, participantes da Escola AfroMundi de Dança, da biblioteca e do Cine Coruja, com jovens cuidando delas e as ajudando a fabricar e empinar pipas. Neste ano, as crianças se dividiram, meninas curtindo mais o processo de criação em grupo, e meninos se dedicando à empinar suas pipas no céu da Orla."

Manoela Souza, coordenadora do festival junto com os jovens coordenadores do projeto, destaca as qualidades que unem as edições. "Todos os anos, anotamos concentração, cuidado com o outro, apoio solidário e, sobretudo, a vontade de dedicar horas, fabricando esta tecnologia antiga, na beleza às margens do Tocantins. Este ano, os jovens da comunidade em maior risco realmente deram uma força imensa, coordenando a produção de talas artesanais e orientando crianças, com a maior calma e paciência. Realmente, é um processo juvenil auto-gestionado, que afirma a cultural ribeirinha da comunidade."

"Temos que pensar porque nossos dois vídeos do festival da pipa no YouTube tem tanta popularidade", reflete Dan Baron, coordenador pedagógico do projeto. "Percebemos que um festival na beira de um rio amazônico demonstra uma beleza e capacidade infantis de ler e escrever sonhos de liberdade nos ventos e no céu, uma alfabetização ecológica intuitiva. Mas observando desde as crianças mais novas até os jovens mais espertos fabricando pipas, percebemos além do aprendizado de autonomia e cooperação, o processo de criar comunidade. Existe o extraordinário conjunto do olhar concentrado, da mão e da mente em sincronia, para realizar uma ideia nova, do zero, em um sonho existencial."

"Cada escola pode realizar seu festival da pipa, junto com a comunidade", propõe Dan. "Em contraste com o consumo do já feito no celular ou no vídeogame, isolado e em silêncio, com as pipas cada criança está criando e co-criando um ambiente pedagógico, e produzindo um brinquedo, se admirando e admirando outros, em grupo, desenvolvendo alfabetizações física, matemática, plástica, motora, estética, social e até emocional, na sua primeira infância. Enraizado na cultura popular, a criação da pipa na briza e no sol, é uma complexa pedagogia rica, que manifesta e cultiva sensibilidade ecológica amadurecida para se transformar em consciência socioambiental. Vamos ampliar isso como ação criativa aqui e em 40 paises no nosso encontro mundial, Rios de Criatividade', em novembro de 2016, para preservar os Pedrais do Lourenção e os ventos das chuvas que levam o rio invisível no céu amazônico, ao mundo."

 

A fotógrafa Regina Suriane é uma das artistas selecionadas por renomados curadores brasileiros para compor a exposição de artes plásticas na Casa Brasil (Rio de Janeiro) durante o período de realização dos Jogos Olímpicos.

A imagem nomeada Buiuna foi fruto do projeto Carajás Visuais Entre Rios e Redes, realizado em 2013 pela empresa de produção cultural Tallentus Amazônia, da gestora e pesquisadora cultural Deíze Botelho.

Sob o patrocínio da FUNARTE e da Prefeitura de Marabá, 17 barqueiros realizaram uma performance fluvial, encenando a lenda da buiuna - cobra grande. A performance aconteceu no dia 1º de maio de 2013, encerrando o processo de pintura de 30 antigas embarcações de madeira, vinculadas a Associação dos Barqueiros Marítimos de Marabá, que trafegam no rio Tocantins. Na época, a ação nomeada BarCor- Estética Tocantina, foi coordenada pelo artista Maurício Adinolffi, com a participação de Antonio Botelho, Marcone Moreira, Jonas Carneiro e Antonio Sérgio.

Registrada pela lente de Regina Suriane, a imagem da performance ganhou o mundo,  foi selecionada pelo Arte Pará 2013; exposta na revista internacional "brasileirosmundoafora", da produtora Claudia Muller; no Atelier 397 em São Paulo; e agora, exibida na cidade do Rio de Janeiro para mais de 10 mil visitantes que assistem a Olimpíada 2016.

Como um labirinto festivo, a Casa Brasil nos convida a reconhecer a diversidade cultural e artística brasileira. Ao caminhar pelo espaço, o visitante se depara com estandes que exploram diretamente a cultura nacional: das artes plásticas ao patrimônio, passando pelo folclore e pela indústria criativa. As manifestações são apresentadas com exuberância de cores e formas, com a exposição de elementos típicos ou a reprodução de exemplares. Estima-se que os atrativos sejam vistos gratuitamente por 10 mil pessoas, diariamente, até o dia 18 de setembro. O espaço está localizado no Píer Mauá, no centro do Rio de Janeiro.

Artes Plásticas - Na Galeria MinC, realizada pelo Ministério da Cultura, estão reunidas Na exposição montada para a Casa Brasil, estão contemplados os artistas: Tancredo de Araújo (O Jogador de Futebol, serigrafia, 1984), Leonardo Costa Braga (Olho Mágico, fotografia, 2015), Abraham Palatnik (Obra sem título, ripas de madeira pintadas com acrílico, 2004), Bernardo Teshima (imagem do projeto A cidade precisa de praias, fotografia), Regina Suriane (Performance fluvial dos barcos Homenagem lenda da buiuna cobra grande Projeto Carajás Visuais, fotografia, 2012), Roberta Carvalho (Arte e Natureza – Projeto #Symbiosis, projeção digital videográfica, 2011), Rubem Grilo (Marionetes, xilogravura, 1974), Leonardo Guelman (Cariri – a morada e o sagrado, fotografia, 2013), Fernando Lindote (Colóquio na Praia, óleo sobre tela, 2011) e Gabriela Machado (Candeia 1 e Candeia 2, acrílica sobre linho, 2010).

 

O projeto eco-cultural e socioeducativo, Rios de Encontro, realizou em Cabelo Seco nesse final da semana uma segunda reunião de gestores nacionais da Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA), com a participação da coordenação de Cultura da Proex-Unifesspa, numa vivência no Pedral do Lourenção, para idealizar o Festival Beleza Amazônica que vai acontecer em novembro de 2016. Na sua quinta edição, o Festival contará com a participação simultânea de mais de 40 países.

O encontro da coordenação nacional da ABRA começou na noite do dia 27 de julho com a festa de encerramento de uma semana de formação em dança-percussão afro-raiz para os jovens coordenadores da Cia AfroMundi, Tambores da Liberdade, biblioteca Folhas da Vida e Rabetas Vídeo Coletivo. Mais de 150 moradores, artistas, gestores e colaboradores assistirem os 20 integrantes das oficinas apresentarem coreografias de Guiné Bissau e danças afro-brasileiras que culminaram em uma ciranda aberta de dança afro. "Moradores da comunidade que nunca haviam dançado Afro-Raiz se integraram nas quintas gerações presentes na roda", sorriu Camylla Alves, coordenadora da AfroMundi, que se integrou também nos ritmos de percussão. "Com a residência, realizamos oito anos de sonho. Resgatamos as raizes de todos nós, sem palestra, sem exclusão de ninguém. Foi uma noite histórica!".

Para Daniela Silva (22 anos) do movimento Xingu Vivo Para Sempre, que recepcionou os jovens coordenadores de Rios de Encontro em Altamira em maio, a festa de Afro-Raiz, foi exemplar. "Sou jovem negra liderança, lutando para preservar o Rio Xingu. Cheguei para alertar Marabá ficar ligada sobre as falsas promessas das mineradoras e governantes. Fiquei emocionada ver crianças de AfroMundi Mirim dançando com tanta autoconfiança e afirmação de sua identidade, na praça! Rios de Encontro já inspirou nosso movimento. Agora, junto com ABRA, vai contagiar o mundo com seu Festival Beleza Amazônica nas redes sociais. Foi uma honra para mim ser convidada para idealizá-lo."

Junto com coordenadores de cultura da Proex-Unifesspa, Pontão de Cultura baiano, Thydewa, Fotoativa e Humanas Tradução de Belém, e arte educadores da Organização Multirão da Meninada de Minas Gerais, da Economia Solidária de Santa Catarina e da TV Ovo Comunitária do Rio Grande do Sul, Daniela participou numa vivência no Pedral do Lourenção no Rio Tocantins. Os 12 gestores experimentaram com 'esculturas humanas', filmadas com drone pela equipe do jornalista Ulisses Pompeu, para imaginar possíveis intervenções com todos os participantes em novembro. "Visitando a beleza do Pedral do Lourenção me tocou profundamente", explicou Gabriela Machado de Juiz de Fora, Minas Gerais, numa entrevista na Rádio Itacaiúnas no sábado com Daniela. "O Rio Paraibuna que perpassa Juiz de Fora recebeu Marmelos, a primeira hidrelétrica na América do Sul, em 1889. Hoje o rio é envenenado, morto, sem peixe. É uma tecnologia pré-histórica que países informados com direitos humanos já substituíram com energias limpas e inteligentes. Alistamos projetos de futuros sustentáveis para interagirem em novembro com comunidades e escolas, em Marabá, para transformar a cidade em um fórum de debate, através das artes."

ABRA dedicou três dias inteiros, idealizando uma proposta para o Festival Beleza Amazônica 2016 que contempla todas os projetos inovadores de Rios de Encontro e idéias das rodas realizadas em Marabá, e integra centenas de 'projetos pela vida' do mundo, recebidos por streaming. Estarão presentes também projetos de economia colaborativa, reciclagem de lixo e energia solar (Santa Catarina), escolas sem provas e paredes (Minas Gerais), celulares verdes (Bahia), estudos linguísticos através de filme e canto, e urbanismo ambiental (Pará), TV comunitária e formação infantil (Rio Grande do Sul), bibliotecas na praça (Minas Gerais e Ceará), junto com histórias da vida virtuais de centenas de outros 'projetos pela vida' dos países nórdicos, asiáticos, latinos, africanos e europeus. Assim, ABRA espera que as comunidades de Marabá possam se vivenciar como 'um município inteligente'.

"Além desta convivência", explica Dan Baron, coordenador da articulação internacional, "milhares de comunidades, redes, e movimentos no mundo vão realizar ações fluviais que estarão postadas no YouTube e Facebook, para gerar uma pororoca de solidariedade com o Pedral do Lourenção, que defendem o Rio Tocantins e a Amazônia inteira. Vamos receber dentre os principais mestres indígenas, cientistas ambientais, economistas, pedagogos, cineastas, artistas, jornalistas e gestores de micro-crédito e moeda comunitária do mundo para compartilhar seus conhecimentos. Amazônia não pode tornar-se uma fábrica de morte, um deserto de lixo, um exportador de pragas e doenças. Juntos, vamos desmentir a crença que estas grandes obras são inevitáveis e mostrar que o futuro é aberto."

O encontro da ABRA encerrou com unidade sobre a marca do festival em novembro. "O Festival Beleza Pan-Amazônica 2016 terá as crianças na frente, coordenadas por jovens", disse Daniela. "Vamos deixar o futuro cantar e encantar!"