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Depois da classificação heroica do Santos-AP para a semifinal da Copa Verde-2017, eliminando o Clube do Remo, o jogador Balão Marabá, do Santos, fez um desabafo contra determinada empresa de comunicação do Pará, sediada em Belém. O desabafo foi motivado porque um comentarista esportivo dessa emissora havia dito, antes do jogo, que o Santos era um time “semiprofissional”.

De forma serena e usando de ironia (figura de linguagem para expressar o contrário do que se pensa), Balão mandou um lembrete diante das câmeras da EIMAXX: “A gente mostrou o amador que a gente é dentro de campo”. Em seguida pediu respeito aos profissionais que sustentam suas famílias jogando futebol pelo Santos.

Para quem não assistiu ao jogo, Balão deu a assistência para abrir o placar da partida, em Macapá, que terminou nada menos de 3 a 0 para o Santos. Aliás, não foi uma assistência qualquer. Foi um lançamento de 50 jardas, que achou o excelente Fabinho de frente para o goleiro André Luiz, do Remo.

Na segunda etapa, Denilson escorou cruzamento para ampliar. E no finalzinho, Rafinha fez um golaço de falta. Vale lembrar que no lance anterior, Balão Marabá já tinha batido uma falta venenosa, que foi desviada pela zaga em escanteio; e foi no rebote desse escanteio que aconteceu a falta que resultou no terceiro gol.

Como o Santos tinha perdido em por 2x1 para o Remo, a vitória por 3x0 garantiu, com sobras, a classificação... Fora o chocolate!

Enfim, pelas jogadas dentro de campo e pelas palavras no pós jogo, Balão Marabá mostrou que está bem tanto dentro quanto fora de campo.

JOGADORZAÇO

Meia de origem, Balão Marabá tem atuado no Santos como segundo volante. Isso faz com que ele seja discreto na fase ofensiva do jogo e tem passado bastante tempo sem tocar na bola. Mas basta um olhar mais atento para perceber a importância tática de Balão, que nesse jogo deu suporte ao lateral esquerdo e fechou todo aquele quarto de campo onde atuou. Além disso, com a bola no pé, ele tem qualidade de sobra. O lançamento que originou o primeiro gol fala por si.

Com tantas qualidades, Balão já é conhecido no futebol paraense (atuou no próprio Remo, Águia, Paragominas e São Francisco). Talvez ele nem precisasse responder à crítica do cronista de Belém. Talvez devesse apenas agradecer a Deus (como fez também) e comemorar com os companheiros. Mas aos 29 anos, Balão é um “boleiro rodado” e sabe muito bem que no mundo da bola, é preciso saber se defender tanto dentro quanto fora de campo.

Ademais, a resposta de Balão Marabá – menino da Santa Rosa e do São Félix – confirmou um velho conceito do futebol, de que o jogo se ganha lá dentro de campo. É ali dentro do retângulo, e só ali, que as coisas se resolvem.

SEMIPROFISSIONAL

Quanto à mídia esportiva paraense, esta sim, tem se comportado várias vezes de forma amadora, fazendo análises bairristas, levando os torcedores de Remo e Paysandu a acreditarem que estes dois elencos são de alto nível, quando, na verdade, a diferença técnica entre esses “gigantes” e os times de menor expressão do Norte nem chega a ser tão grande assim. Que o diga o Remo, que saiu de Macapá levando na bagagem um caminhão de gols.

Nesse caso específico, o cronista avaliou o nível de profissionalismo pelo valor da folha do pagamento. Mas quem viu o jogo sabe que muitos atletas do Santos-AP têm plena capacidade de vestir a camisa do Remo, do Paysandu ou de clube com maior projeção nacional.

PRÓXIMO DUELO

O Santos-AP espera agora a definição do confronto entre Águia e Paysandu. O Papão larga na frente por ter vencido fora de casa (2x1). Ou seja, o Santos poderá pegar outro “gigante” paraense. Dessa vez, recomenda-se prudência à Imprensa esportiva de Belém.

Lógico que o Paysandu é favorito, mas será que alguém ainda duvida da capacidade e do profissionalismo de Balão e seus companheiros?

 

(Chagas Filho)

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