Pin It

Uma cidade com quase 300 mil habitantes, que vivem esparramados por núcleos distanciados e que dependem em geral de apenas uma via específica para se interligarem. Assim é Marabá, cidade que volta a ocupar espaço na mídia nacional de forma negativa. Desta vez foi o assalto cinematográfico à transportadora de valores Prosegur, com direito a tiros, bombas e até uma policial baleada.

Bastou a quadrilha interditar a ponte do Rio Itacaiúnas, com dois caminhões em chamas, para que o núcleo Cidade Nova, palco do assalto, ficasse completamente isolado, impedindo a chegada do reforço policial, colocando na linha de frente dos assaltantes apenas um reduzido número de policiais que conseguem apenas fazer frente às ocorrências policiais corriqueiras, algo bem menor do que o estrondoso ataque da quadrilha que levou milhões de Reais que seriam destinados aos bancos de Marabá e região.

O assalto trás a urgência da descentralização das bases policiais de Marabá, assim como do Corpo de Bombeiros, pois caso o ataque fosse noutro núcleo urbano, a ponte interditada também seria um limitador para a chegada dos bombeiros. É válido cobrar das autoridades uma solução concreta para essa situação, pois sabe-se que existem projetos nesse sentido, há mais de uma década, inclusive, mas nunca sairão do papel.

E não é só isso.

Como eles conseguem explosivos?

Se a descentralização das bases de segurança é uma questão que pode ser resolvida em âmbito estadual, outro problema identificado nesse ataque criminoso já não depende de saídas tão caseiras. Trata-se da venda de explosivos no Brasil. A pergunta é: como os assaltantes conseguem tantos explosivos?

De acordo com a legislação atual, as empresas que manuseiam ou exercem atividades com explosivos devem, obrigatoriamente, apresentar um plano de segurança que terá de descrever em detalhes as instalações internas, áreas de operações e estoque, nomes e identificações de agentes envolvidos, além de rotas de transporte e distribuição.

Como se vê, no papel, é rígido adquirir e manusear explosivos no Brasil, mas – na prática – o que se vê são quadrilhas utilizando empresas de mineração de fachada para usar explosivos em atividades criminosas ou roubam explosivos de modo tranquilo, sem serem incomodados com investigações mais profícuas da Polícia Judiciária. Isso dá a entender que há uma frouxidão na fiscalização. E isso é um problema que nem de longe parece perto de ser resolvido, até porque ataques dessa natureza têm ocorrido com certa frequência Brasil afora.

(Chagas Filho)

Pin It