Na madrugada desta segunda-feira (9) houve um descarrilamento com tombamento de 30 vagões vazios no ramal ferroviário da Estrada de Ferro Carajás (EFC), em Parauapebas (PA). A ocorrência não afetou o trem de passageiros. Segundo a Assessoria de Comunicação da Vale, o maquinista sofreu escoriações, foi levado ao hospital da cidade e passa bem. Equipes da Vale atuam na avaliação da recuperação da linha férrea. As causas da ocorrência estão sendo apuradas.

 

Na madrugada desta Sexta-feira da Paixão (30 de março), o indígena Aru Sompré, que foi jogador de futebol profissional, morreu em um trágico acidente na BR-222, entre São Félix e Morada Nova, nas proximidades do Residencial Tiradentes. O veículo que ele dirigia teria invadido a contramão da pista de rolamento e bateu em uma caçamba. O carro virou um monte de ferro retorcido e Aru morreu na hora.

As primeiras informações são de que ele passou o dia na casa de sua mãe, no bairro Amapá, Cidade Nova, e saiu de lá com destino à Aldeia Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, onde ele nasceu. Aru costumava andar sempre com amigos, mas desta vez estava só.

Aru se notabilizou por integrar o primeiro time indígena do Brasil, o Gavião Kyikatêjê. Era irmão do ex-vereador Ubirajara Sompré, que estava em Brasília (DF) quando foi informado do falecimento do irmão.

Registrado como Paulo Aritana Sompré, Aru completaria 32 anos no próximo dia 12 de maio. Ele teve passagens pelo Águia de Marabá, Gavião e Ananindeua. Já no futebol amador, Aru passou pelo Castanheiras, da 1ª divisão, e integrava o elenco e a diretoria do Cacimbão, time do bairro Amapá, onde ele era muito querido.

(Chagas Filho)

 

Na madrugada desta segunda-feira (19), no município de Marabá, as famílias do Acampamento Helenira Resende, despejadas em novembro de 2017, reocuparam a área da Fazenda Cedro, do Grupo Agropecuária Santa Bárbara. A ocupação, segundo informação do MST, é um ato de resistência das famílias, que foi provocado depois que a AgroSB fez pulverização de agrotóxico sobre o acampamento com um avião de pequena porte.

Segundo a Assessoria de Comunicação da AgroSB, um avião a serviço da empresa fez uma operação realmente, mas não despejou o veneno sobre o acampamento que estava armado fora da propriedade. A Assessoria afirmou: “Estávamos preparando uma parte da área para a plantação de sorgo e pulverizando com veneno para eliminar as ervas daninhas. Porém bem longe do acampamento”.

 

O defensivo agrícola que foi lançado sobre os sem-terra acampados ao lado da fazenda Cedro – segundo eles – por um avião da Agro Santa Bárbara é extremamente contaminador. Como se sabe, depois do ataque aéreo, os sem-terra apressaram seu retorno ao acampamento na fazenda, agora de forma definitiva, garantem.

Na pista de pouso da propriedade rural, foram encontrados 51 vasilhames de 20 litros do agrotóxico ZAPP QI 620 (Glifosato de Potássio) e sete vasilhames de 20 litros de Assist Adjuvante (óleo mineral emulsionável, tóxico). A combinação dos dois produtos torna o veneno mais penetrável ao local aplicado e mais resistente de sair em caso de chuva.

Segundo dados apresentados pela subcomissão que debate o tema na Câmara dos Deputados, cerca de 70% dos agrotóxicos aplicados através da pulverização aérea não atingem o alvo, contaminando o ambiente em torno, contaminando os rios, matando as plantações e intoxicando a população.

Outro lado

A Assessoria de Comunicação da AgroSB informou que “o MST mente quando diz que a empresa jogou agrotóxico sobre seu acampamento provisório, em Marabá”. Ainda de acordo com a empresa, o MST usa esse argumento para justificar “mais uma invasão criminosa”.

Além disso, a Assessoria também afirmou que a empresa já acionou seu setor jurídico para ter seu direito à terra devidamente garantido, pois a área vem há quase uma década sendo alvo de depredação por parte do MST: “A Agro Santa Bárbara reafirma que está tomando as medidas judiciais cabíveis para retirada dos invasores da Fazenda Cedro, cuja posse retomou, em novembro de 2017, após mais de oito anos de invasão e destruição”.

 

 

A Polícia Civil do Pará deflagrou, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (15), a operação policial denominada "Tabebuia" para dar cumprimento a seis mandados judiciais - três mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e um de condução coercitiva - nos municípios de Pau D'Arco e Marabá, no sudeste paraense, e em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. A operação resultou de investigações que constataram um esquema de corrupção no município de Pau D'Arco, na região sudeste do Pará. Foram presos, na operação, o ex-prefeito de Pau D’Arco, Maurício Cavalcanti, e o empresário Andrey Luís Pereira Furtado, proprietário da empresa Taurus Engenharia, sediada em Pau D'Arco. A operação resultou de investigações presididas pela Delegacia de Repressão a Defraudações Públicas (DRDP), vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

A ação policial nos três municípios contou com equipes da DRCO, do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), de Redenção, e equipes de policiais civis das Delegacias de Redenção e Marabá. Ainda, durante a operação, o engenheiro André Carvalló, que trabalhava para a prefeitura de Pau D'Arco, na época do então prefeito Maurício Cavalcanti, foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos na Delegacia e depois liberado. O ex-prefeito foi preso em Pau D'Arco e o empresário foi preso em Marabá, onde permanecerão recolhidos à disposição da Justiça. O engenheiro foi localizado em Ananindeua e ouvido em depoimento na Delegacia-Geral em Belém, de onde já foi liberado. O material apreendido na operação será transferido para a DRCO, em Belém.

Segundo o delegado Carlos Vieira, titular da DRDP, as investigações constataram um esquema que envolvia a administração pública do município de Pau D'arco, empresas que se beneficiavam em procedimentos licitatórios, com objetivo de desviar recursos públicos e posterior repasses de valores ao ex-gestor público do município. As denúncias dos crimes foram inicialmente comunicadas à Superintendência Regional da Polícia Civil do Araguaia Paraense, sediada em Redenção, encaminhadas para a DRDP, em Belém, para apuração.  Segundo as denúncias, ocorriam desvios de recursos públicos em um esquema de corrupção na administração de Pau D’Arco.

Em 2014, explica o delegado Vieira, a empresa Taurus Engenharia participou da licitação no município com objetivo de concorrer para a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no centro da cidade; de um Terminal Rodoviário; de um muro e da calçada da Escola Paula Hanneman e da Escola Municipal Marajoara, além de obras de saneamento básico; de sistema de esgotamento sanitário; de implantação da infra-estrutura da Orla e Academia de Saúde. As investigações mostraram que o empresário Andrey Luís Pereira Furtado teria participado diretamente do certame, que foi vencido pela empresa Taurus e que teve como valor global a quantia de R$ 4.902.566,82.

LICITAÇÃO IRREGULAR

Segundo o delegado, após a empresa ser contratada, em agosto de 2014, os sócios da empresa romperam a sociedade, porém Andrey Luís Pereira Furtado teria ficado responsável por fazer o pagamento de 24 parcelas no valor de R$ 10 mil ao outro sócio, para atender ao acordo a título de divisão patrimonial. Porém, Andrey atrasou o pagamento das parcelas em seis meses. Andrey Furtado não teria pago as parcelas, segundo as investigações, por estar sendo "extorquido" pelo então prefeito de Pau D’Arco. Ainda, conforme o delegado, as investigações concluíram que houve direcionamento no procedimento licitatório que deu origem ao contrato da empresa com a Prefeitura de Pau D’arco, pois houve a exclusão de outras empresas participantes do certame para contratação da Taurus para a construção de obras públicas no município. "Para receber os valores referentes às execuções das obras, parte dos pagamentos deveriam ser devolvidos ao prefeito para depois as parcelas restantes serem pagas à construtora", explica Vieira. 

Em 22 de junho de 2016, a empresa de engenharia notificou a Prefeitura Municipal de Pau D’Arco pela falta de pagamento pela execução da obra do Sistema de Esgotamento Sanitário, da obra de Construção da Escola Marajoara, da obra de Infraestrutura da Orla do Rio Pau D’Arco, da construção UBS do Centro e da obra do Terminal Rodoviário de Pau D’Arco. "A empresa fez a notificação para providenciar o pagamento pendente no valor de R$ 602.420,84", ressalta. No decorrer do inquérito, detalha Carlos Vieira, foi constatado que em um dos contratos firmados entre a Prefeitura e a empresa de engenharia para implantação do sistema de esgotamento sanitário, o valor orçado foi de R$ 4.902.566,82, mas, de acordo com a notificação da empresa à Prefeitura, foi medido e executado apenas 32,22% da obra e a Prefeitura fez somente o pagamento de 32,09% do serviço, faltando 0,13% do valor que seria de R$ 6.221,42.

Ainda, de acordo com o delegado, o contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado em 10 de julho de 2014, e no Diário Oficial da União em 29 de julho do mesmo ano. No contrato, ressalta o policial civil, a empresa produziu uma planilha de gastos com os custos totais dos materiais utilizados no desenvolvimento da obra. Esta planilha é referente à segunda medição, com data em 9 de março de 2016 e foi assinada por Andrey Furtado e por outros profissionais responsáveis pelo projeto. Além desse documento, a empresa produziu uma nota fiscal de serviços, no valor de R$ 572.655,27, discriminando o serviço de construção para implantação do sistema de esgotamento sanitário, conforme termo de contrato, em que constam o material e a mão-de-obra que seriam utilizados na obra.

Com base na análise dos documentos, o delegado solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará pedido de autorização para abertura de procedimento investigatório criminal contra o então prefeito de Pau D’Arco, o que deferido por meio do despacho do desembargador Raimundo Holanda Reis, em 14 de julho de 2016. A partir de então, o delegado instaurou inquérito policial para apurar ocorrência de crimes praticados por servidor público municipal, valendo-se do cargo, e de irregularidades na execução de contrato da Prefeitura, que resultaram em crimes de fraude em licitações com suposta utilização do erário, além de crime de responsabilidade e concussão.

INVESTIGAÇÕES

Durante o inquérito, o delegado apurou que o próprio prefeito à época procurou um dos sócios da construtora para exigir valores referentes aos pagamentos das obras que teriam suas parcelas pendentes pagas após repasse de valores ao então prefeito, sob ameaça de o pagamento das obras não ser liberado pela prefeitura. "Foram ouvidas testemunhas que confirmaram as informações constantes nos autos do inquérito sobre a fraude no procedimento licitatório, bem como pela concussão, que é a extorsão praticada por servidor público", detalha Vieira. Foram colhidas provas das práticas de crimes contra a administração pública e crimes de responsabilidade do então prefeito Maurício Cavalcante e do empresário Andrey Furtado. Entre as provas estão depoimentos de testemunhas, áudios ambientais, relatórios investigativos e provas documentais.

Ainda, durante o inquérito, outras empresas de engenharia, que teriam recebido exigências do prefeito ou de servidores do município, foram investigadas para apurar se houve pagamento de propina. Em uma delas, de nome construtora Terra Santa, as investigações mostraram que a empresa teria abandonado alguns contratos em virtude das exigências de vantagem indevida por parte de Maurício Cavalcanti. Além disso, ressalta o delegado, o prefeito procurou um dos sócios da construtora Taurus para exigir quantia indevida em dinheiro, mas a empresa não atendeu ao pedido. Por isso, uma transferência de valores em dinheiro feita na conta da empresa teria sido cancelada. Além disso, os valores exigidos pelo prefeito deveriam ser pagos em dinheiro e em mãos. O inquérito policial resultou em um relatório de investigação, em novembro de 2016, com informações de dados pessoais das possíveis autorias e de pessoas que tiveram participações nos crimes apurados.

Após o fim do mandado de Maurício Cavalcanti como prefeito, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Pará ingressaram com uma representação no Tribunal de Justiça do Estado solicitando o encaminhamento dos autos do inquérito à primeira instância do TJE, já que Maurício perdeu o foro de prerrogativa de função. O pedido foi deferido pelo TJE em que o desembargador declinou a competência da investigação à Comarca Judiciária de Redenção no Pará. O relatório da investigação com informações sobre o andamento das obras e os valores repassados para execução das mesmas também foi juntado ao processo. Para o delegado, não restaram dúvidas das práticas de desvio de recursos públicos para benefício próprio do ex-prefeito em co-autoria com o empresário Andrey Furtado. Com base nas provas, o delegado Carlos Vieira solicitou à Justiça os mandados de busca e apreensão na residência dos acusados para encontrar e apreender elementos de provas da investigação e para prender os indiciados e realizar a condução coercitiva de André Luiz Carvalló.

(Fonte: Polícia Civil)